10 de jan de 2015

MENINA PAULISTA


"Já faz algum tempo que não sei como começar um texto, mergulhei numa inercia sem explicação. Busquei me inspirar em qualquer coisa que estivesse por ai. Me perdi entre descidas e quedas, me entrelacei entre laços e embaraços que não podem ser desfeitos.
Em meio a esse expresso pra lugar nenhum acabei percebendo que havia me perdido e me desviado da direção que sempre me perseguiu... Ahhh e como eu tenho sentido falta!
Quando percebi o abismo que estava se formando, pensei que deveria respeitar a vontade dela e me contive... Foi a vontade mais difícil de conter que já tive!
Feliz eu seria se pudesse trocar o vermelho dos meus olhos pelo vermelho daquele batom. Se o sol queimando sobre mim desse lugar aqueles inconfundíveis cabelos loiros.
Se eu estou sendo dramática? Que seja, quem nunca foi um Steven Spielberg da sua própria história? Quem nunca transformou sua dor em um dramalhão ou em uma comédia pastelão para quem não consegue entender o que se passa?
E de tantos apelidos e maneiras de falar, de tantas interpretações e teatros que eu costumo fazer, quero me despir das fantasias e deixar as frases feitas de lado para ter apenas a companhia do silêncio quando seu abraço for a melhor parte disso tudo.
Dizem por ai que a inspiração está numa garota de Ipanema, no meu caso está numa novinha de SP.
Muitas vezes um milhão de problemas te tiram pra dançar e fazem você se perder no ritmo que a vida insiste em tocar. Mas se for pra ficar nesse baile, quero mesmo que o meu par tenha aquele sotaque paulista que eu adoro implicar.
Já tentei ser professora, ativista, filosofa, revolucionária, pensei em ser atriz, cantora, escritora, as vezes até brinco de ser poeta. Mas acho que meu destino mesmo é ser dela!"
Aline Alves