17 de ago de 2014

QUEM EU SOU?


"Sempre acreditei em amores impossíveis, em certezas improváveis e desfechos mirabolantes para as histórias mais manjadas.
Sempre fui a garota com a carcaça dura e o interior terno. Aprendi a ser forte diante do mundo e desabar diante de mim.
Sempre esperei pelo pior, mas nunca deixei de acreditar que algo bom pudesse acontecer em algum momento, mesmo que ele fosse breve e se perdesse no tempo.
Definitivamente não sei dizer adeus. Alias tudo que é definitivo me assusta.
Ainda tenho medo do escuro, de fantasmas, monstros, ETs, da morte e da solidão. Acabei descobrindo que tudo que mais me assusta me persegue constantemente.
Nunca perdi a fé em Deus, ainda me pego chorando e conversando com ele em algumas madrugadas tristes.
Sempre me apeguei a lembranças, dizem que isso acontece porque diferente das pessoas elas não mudam... Pode até ser, mas creio que as lembranças boas que carrego, embora sejam poucas, são aquilo que me mantem sã em meio a tanta coisa ruim.
Gosto de sorvete de maracujá, café doce, rosas vermelhas, músicas desconhecidas, cerveja gelada e amores quentes. Inteligência me atrai, mas pureza e inocência me encantam.
Quero uma família, uma casa com jardim na entrada e uma goiabeira no quintal, uma filha pra ensinar e alguém pra ouvir minhas lamurias ao final do dia, me abraçar e dizer que está tudo bem.
Sinto falta de olhar a lua, de um abraço na praça em noite fria, de um olhar que fala em silêncio...
Uns me acham forte, outros fria, já ouvi falar que eu sou feliz e bem resolvida... Acho mesmo que sou adulta demais em determinados momentos e em outros sou uma criança mimada. Demonstro uma alegria inexistente e escondo uma tristeza inimaginável.
Acho que nem eu sei quem sou...
Só sei que não nasci para despedidas. Definitivamente não sei dizer adeus!"
Aline Alves

9 de ago de 2014

UM DIA A SE ESQUECER


"Rasgou como o vento frio no corpo quente.
Tentei de forma tola represar a água salgada que ameaçava jorrar daquele olhar triste.
E aquilo cortava a alma impiedosamente de um jeito mais brutal do que a lâmina em pulsos desesperançosos.
Não houve entendimento e muito menos compreensão, estava mais para uma noite misteriosa de um filme de terror qualquer.
Tanta inquietação em meio a uma chuva de pensamentos caóticos não deveria ser rotina... Não mesmo!
As vezes é incrível como o mundo conspira para alimentar dores assim: uma briga, uma noite ruim, a música melancólica que decide tocar, a foto que me olha na parede gritando aquilo que estava adormecido, a propaganda na TV insistindo em me vender presentes que eu nunca tive a quem dar...
A vida tenta nos ensinar a ser forte, infelizmente ela não avisa que com a força vem o silêncio, os conflitos internos, os monstros no armário dos sonhos, a descrença, a tristeza, a maturidade no olhar da criança e tantas outras coisas que talvez não mereçam ser ditas aqui."
Aline Alves