19 de out de 2013

FODA-SE


"Caro leitor, antes que continue a ler o que falarei aqui peço que avalie se conseguirá digerir uma série de palavras chulas e esbravejamentos sem nenhuma censura. Caso isso lhe incomode de alguma forma, aconselho a não ler os versos que se seguem...

Costumo começar cada texto sobre esse assunto com uma lamentação ou um tom de “se”, mas dessa vez prefiro começar com um forte e sonoro: FODA-SE!
Toda pessoa erra, mas o fato é que existem dois tipos de pessoas. As que erram, aprendem com seus erros e se tornam pessoas melhores. E as que erram, se fazem de vítima, permanecem errando e assim continuam sendo tão medíocres quanto sempre foram. A pessoa que serve de inspiração para esses versos sem dúvida alguma se enquadra no segundo grupo!
E sabe qual foi meu maior erro? Regar capim achando que nasceria uma rosa. De grosso modo, foi tratar como princesa quem se sente bem em ser uma vagabunda!
Lembro de uma noite em que pedi a Deus para fazer o que fosse melhor e hoje vejo que o melhor foi me afastar de um dos maiores erros que eu cometi.
Me sinto burra ao ter arriscado perder pessoas incríveis por uma que não vale nem este texto. Aliás, depois de certas coisas dou mais valor ao chão que eu piso que a algumas pessoas...
Notei que algumas pessoas adoram sentir dor, então deixa a vida bater. E pelo que tenho visto ainda vai bater muito!
E se antes eu sentia frio na barriga ao pensar nisso tudo, hoje o meu estômago revira.
Mas o bom de conhecer gente filha da puta é que a gente aprende a dar valor a quem somos e a quem realmente está do nosso lado.
Hoje agradeço demais a Deus por não ser assim e não viver ridiculamente como alguns aceitaram viver passivamente.
Eu respeitei meu momento, me aproximei de quem queria me ajudar e me fazer bem, deixei meu coração descansar... Sem essa de matar um amor com outro ou encobrir um erro com vários. Quando sair do casulo, meu voo será alto e de lá de cima vou ver muita gente cair e darei de presente a indiferença.
De que adianta repetir a mesma história de forma cada vez mais intensa e não aprender nada com isso? E não cuidar de si mesmo? E não saber cuidar dos outros? Sinceramente, não dá pra esperar respeito de quem não respeita nem a si mesmo... Por isso a falta de respeito para alguns virou rotina.
Sorvete? Acho que não, um Iceberg talvez. Frio, imóvel e capaz de destruir inúmeras vidas.
Sorriso lindo? Não, sorriso cheio de maldade e pronto para manipular, causar discórdia, estragar o que era certo e iludir.
Mas creio que a vida seja um constante retorno e tudo o que você faz para alguém irá voltar para você, de forma diferente, mas com a mesma força.
Então espero que quem cagou na vida inteira, esteja pronto para colher merda!"
Aline Alves

14 de out de 2013

CARTAS NA MESA


"Sem sinais
Só as cartas na mesa
Essa ainda sou eu
Mas renascida em mim mesma

Água limpa e corrente
E com ela pensamentos subsequentes
Se vão, um, outro e outro

É o passado que me fez
Mas que já não é parte de mim
Uma página que compõe a história
Mas que não determina seu fim

E hoje venho encarando momentos
Os mais difíceis talvez
Mas com tal leveza
Que faz a dor ser sutil desta vez

Ouvi falar que pra mim foi fácil
Apenas por essa vez
Mas o momento foi o mesmo que já vivi
Apenas resolvi não me perder

E que seja o sol a me aquecer
E não um sentimento com espinhos
E que sejam meus amigos
Aqueles que estarão comigo pelo caminho

Que seja preciso chorar por uma noite
Mas que a cada manhã nasça um novo sorriso
Não o que já se fez ontem
Mas um mais intenso e preciso

E que cada um abane sua brasa
E que o fogo renasça
Apenas em mim
E que queime a chama mais forte
Que possa fazer brotar a vida antes do fim

E se posso dizer algo nos últimos versos
Que seja que é possível ser leve
Mesmo diante do torto e do inverso
E não há dor que se eleve
Diante da certeza de que o que preciso
Está em mim, no sorriso e na força da alma
E não nas palavras perdidas e sem brilho
De quem não sabe mais do que sente falta!"
Aline Alves

3 de out de 2013

PÁSSARO SOLITÁRIO (DOIS PEDAÇOS DO QUE SOBROU)


"Entre as palavras censuradas e a certeza de que o inserto é o destino ao fim da jornada, notei que não preciso ser outra para ser eu mesma.
A dor é a cor do amor que ficou, mas a falta que se sente não é dos momentos e sim daquilo que poderia ser vivido.
Poderia... No passado... É engraçado como momentos que nem ao menos chegaram a acontecer se tornaram passado, ficaram pra trás e não vão voltar. Mas como voltariam se nem ao menos foram?
Seguindo e aprendendo com a inocência dos atos pouco pensados, os mesmos que me ensinaram uma gama de coisas que eu só consigo explicar pro espelho.
Ai me pego pensando em quem eu era quando comecei a formar meu caráter e em quem sou hoje. Não sei dizer se cheguei onde queria chegar, mas sei que cheguei em algum lugar.
E eu juntei dois pedaços do que sobrou, segui um pouco mais, talvez dois ou três passos largos pra longe de onde me perdi. Senti que era o momento de assumir que embora algumas coisas estejam no lugar, elas já estão tão enraizadas que não podem ser nada diferente disso.
Não quero ser uma formiga que mesmo ajudando os seus e trabalhando arduamente, acaba fazendo exatamente a mesma coisa todos os dias e sendo apenas mais uma em um ciclo interminável e vicioso. Um ciclo de conforto.
Quero voar e só me entregar ao conformismo quando tiver feito meu ninho no cume da montanha mais alta. Quero me impulsionar sozinha, mas ter alguém para levar em minhas asas. Quero ser uma coruja de rapina, viver só e atacar quem me ameaça. Mas também almejo ser um canário, que vive para ajudar o bando. No entanto, continuo com o espirito da águia que cada vez voa mais alto. Não importa o que eu seja, quero apenas continuar me soltando ao vento e seguindo onde minhas asas me levarem.
Quero ser a luz, mas sem deixar de ser a escuridão que descansas os olhos cansados.
Quero ser a aquarela que dá cor a cada momento, mas sem deixar de ser a tarja preta no arco-íris.
Quero ser a música, mas sem deixar de ser o silêncio que constrange quem não sabe se calar.
Queria mesmo era ver, mas prefiro continuar a fingir que não existe.
E de tudo que eu quis ser, hoje continuo sendo a mudança que precisava ser.
Hoje vi que o que achava ser um furacão era apenas uma brisa leve de outono que veio, refrescou o calor da vida e se foi tão subitamente quanto chegou. Talvez volte no inverno quando o frio chegar, mas sempre trará consigo uma tempestade.
E cá entre nós, que pássaro pode voar na chuva?"
Aline Alves