13 de mar de 2012

UM DIA EM SILÊNCIO


"Hoje não é um dia de palavras fortes ou marcantes, é só um dia de silêncio.
Sinto que não devo falar hoje, que não acrescentarei nada ao mundo e nem mudarei toda essa situação se disser algo.
Algumas palavras são direcionadas a mim junto com um olhar de desaprovação, mas meus lábios permanecem imóveis. Minha boca está estática, deixando que apenas meus olhos contemplem mais esse capitulo de algo que eu preferia que não tivesse nem começado.
E as horas passam, o dia vai caminhando para a morte, para o último suspiro, mas eu permaneço fiel ao meu silêncio.
Boca selada, e todo esse vazio ecoa a confusão que se instaurou na minha mente. Mas por fora ainda permaneço firme e silenciosa como se fosse feita de pedra.
Começa a chover, ainda escuto alguns murmúrios ao meu redor, mas o barulho da água tocando o solo e dos trovões rasgando o céu escuro, ficaram mais evidentes que qualquer outra coisa. Queria ter a coragem que o céu tem, de chorar, gritar e colocar pra fora o que lhe aflige. Mas eu e minha péssima mania de guardar o que sinto pra mim, me mantem calada e estática, alheia a tudo que acontece nesse momento.
Costumo falar de mais, sempre achei que deveria dizer às palavras que o mundo precisa ouvir e que se alguém se cala é porque chegou a minha hora de falar, dessa forma o silêncio jamais seria capaz de invadir um lugar onde eu estivesse presente. Não que eu queira ser o centro das atenções, mas sempre achei que o silêncio abria portas pra sentimentos ruins e pensamentos que nos perturbam, e que as palavras são as únicas capazes de portar luz em momentos assim. Mas hoje percebi que o silêncio não é um vilão, mas sim um amigo, coadjuvante na história que nós escrevemos e que ele só auxilia naquilo que você quer sentir.
Hoje eu aprendi a importância e a necessidade da arte de calar. Notei o quanto o mundo precisa que nos calemos em alguns momentos e o quanto nós mesmos precisamos disso, para nos entender e evitar conflitos.
Caminho tão perdida em mim mesma, que creio que nada possa me encontrar ou me salvar do que eu posso fazer a mim. O que fazer quando seu maior inimigo é você mesmo?
Agora me vejo sentada no chão do banheiro, algumas lágrimas se misturam a água que cai do chuveiro sobre mim. Creio que nesse instante, elas disseram tudo que meu silêncio encobriu durante o dia.
Sei que a angustia não vai passar, mas permanecerei no recanto dos mudos, no mundo dos surdos, vou fechar os olhos e me igualar aos cegos e assim, desfrutar da virtude que os normais não possuem..."
Aline Alves


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