28 de fev de 2013

NÃO É UM CONTO DE FADAS


"A cama...
Há alguns dias esse foi seu refúgio, às vezes torna-se mais confortante para a alma se esconder do mundo.
Aqueles lindos olhos claros injustamente se tornaram vermelhos, consequência dos caminhos que a vida tomou.
Eu fico de longe observando e tentando entender o emaranhado de pensamentos que fluem de sua mente de uma forma desordenada e continua.
As vezes é um pouco difícil pra mim compreender como a mulher sensual consegue esconder uma menina tão frágil e assustada, mas continuo encantada com as duas.
Sobre a mesa um amontoado de remédios se perde entre as cinzas dos cigarros e os copos sujos de café... Cada um encontra o vicio que lhe conforta, ela encontrou vários...
E com o humor oscilando constantemente, ela encontra algumas horas de distração em frente ao computador. Um refugio momentâneo que talvez tenha feito a diferença nos últimos tempos.
A falta de alguém que se foi tem consumido a pouca sanidade que ainda lhe resta. Entendo bem essa dor...
Cobranças terrenas, dores carnais, perseguições espirituais...
E seu velho companheiro agora empoeirado fica ali no canto do quarto, observando atentamente todo esse show de horror e esperando o momento em que ela vai se levantar e tirar dele o que nenhuma pessoa pode lhe dar, pois pessoas só podem oferecer palavras que chegam ao máximo até o coração, mas os sons que ele pode proporcionar tocam a alma e de alguma forma conseguem confortá-la!
E eu? Onde mesmo eu entro nisso tudo? Pra dizer a verdade eu nem sei.
Eu vigio silenciosamente, protejo de longe, me preocupo sem falar e vez ou outra tento interferir em seu destino ou mudar a sua história. Sei que nunca será um conto de fadas, desses cheios de fantasias, mas continuo tentando congelar a dor dela em mim.
Não sou muito, mas espero calorosamente pelo dia em que em um abraço eu possa dizer o que palavra nenhuma é capaz de falar."
Aline Alves

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