6 de mar de 2013

PROMETE PRA MIM QUE NÃO VAI MORRER?


"- Promete pra mim que não vai morrer?
Ela não disse, ela não me pediu pra prometer, mas essas palavras ecoam ao som da voz dela em minha mente.
Poucas semanas ainda me restam, talvez dias e ela ainda não veio aqui. Esperei vê-la aparecendo correndo pelo corredor e chorando me pedir quase que desesperadamente:
- Promete pra mim que não vai morrer?
Mas ela não me pediu pra prometer.
Esperei por outras vezes que ela apenas me olhasse pelo vidro do quarto, fria e sem muita reação, que se lembrasse de quem eu fui e segurasse uma lágrima insistente que tentou cair pelo passado que ambas deixamos para trás, sem muita compaixão ela se prenderia ao orgulho e viraria as costas e em um pensamento pediria a parte de mim que vive dentro dela:
- Promete pra mim que não vai morrer?
Mas creio que nada de mim ainda vive nela...
Em algum momento nessa espera eu parei de esperar. Notei que esperei tanta coisa durante tanto tempo, que perdeu completamente o sentido esperar algo agora, mas em minha mente isso ainda ecoa insistentemente. Não sei se sou eu que estou idealizando demais ou se de alguma forma ainda existe uma ligação entre nós, não sei se estou sonhando ou se de algum lugar ela implora:
- Promete pra mim que não vai morrer?
Eu não poderia prometer nem a ela, nem a mim. Cansada demais de fazer promessas que eu não posso cumprir.
Perco um tempo precioso desenhando com o olhar uma rosa, um dragão e um herói de capa, pelas paredes brancas do quarto. Começo a delirar, a imaginar, a sonhar, a tremer, a temer, a me esconder, a suspirar, a gemer, a lembrar, a me reverter, a te inverter, a querer, a repudiar, a enlouquecer... E subitamente começo a querer que ela me peça pra responder:
- Promete pra mim que não vai morrer?
Mas ela não me pediu pra prometer.
Fecho os olhos, me canso das promessas e espero uma nova remessa de devaneios...
Esperando desesperadamente pelo momento que separa a chave na porta e o apagar das luzes.
E entre a escuridão vejo como se em um clarão, em meio ao meu delírio incontido o último suspiro e repito pra mim desejando que essas palavras viessem de alguém que não está aqui:
- Promete pra mim que não vai morrer?
Que bom que eu não prometi, mas ela não pediu pra eu prometer."
Aline Alves

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