10 de mar de 2013

PRECISO DE MAIS


"Me sinto velha demais para me contentar com amores verbais, que se prender em uma cadeia de vícios e que se resume em dizer eu te amo enquanto assiste o comercial de margarina na TV.
Logo eu, uma amante a moda antiga. Do tipo que gosta de receber flores e recitar palavras cheias de sentimentos entre um beijo e outro, como posso me contentar com uma ilusão travestida de amor eterno?
Não se trata de ganhar ou perder um jogo que não existe ou se armar pra uma guerra sem proposito que ninguém irá vencer, eu apenas continuo agindo de forma limpa.
Se eu não posso me doar pela metade, por que aceitaria isso de alguém?
Necessito de intensidade, de exageros emocionais, de atitudes inesperadas, de romantismo desenfreado, de sacrifícios, de dedicação incontida, de palavras imunes de clichês, de declarações sem frases de novelas. Gosto de me sentir especial, gosto de presença, gosto de me perder no tempo sendo mimada por alguém que sabe cortejar... Não me considero exigente, muito menos egoísta, sou como todo bom romântico que inspira ter um pouco do que costuma doar.
Passei da época de me conformar com pouco, não seria justo comigo mesma além de ser desrespeitoso com tudo que já passei.
Não espero companhia por obrigação, não aceito um afago por gratidão, não quero mentiras que acalentam, não quero plágios malfeitos de romances de contos de fadas.
Quero uma realidade com brigas, problemas, dificuldades e todas essas imperfeições que temperam toda grande relação duradoura. Quero a certeza que após um dia cansativo de trabalho vou encontrar alguém pra reclamar da vida comigo e ao final de todas as lamúrias, descansar em um abraço terno e real, longe de ser perfeito, mas certo de que é o melhor refúgio.
Não espero perfeição, mas quero alguém que saiba viver cada momento torto e estranho da vida da forma mais leve e próxima possível.
Quero um amor novo a cada dia com a mesma pessoa, quero me apaixonar novamente pelos mesmos olhos, quero tomar café puro toda manhã ouvindo a mesma voz dizendo coisas novas...
Desculpe, mas não posso aceitar menos que isso."
Aline Alves

2 comentários:

  1. Aline, qual é a forma mais honesta para se demonstrar um sentimento tão complexo como o amor? Talvez não exista uma forma pré-definida, talvez cada pessoa tenha seu próprio jeito de senté-lo e de mostrá-lo ao outro... É muito comum vermos pessoas criticando os depoimentos dos outros nas redes sociais, que por vezes parecem tão exagerados. Mas como saber se estes sentimentos são verdadeiros, se não somos nós que sentimos, se não conhecemos as intenções de seus autores? A vida por si, com todas as suas complicações e problemas é desafiadora, não dizer implacável. Se não houver um pouco de fantasia, fica difícil de enfrentá-la. O amor pressupõe correspondência bilateral de seus sujeitos. Como saber se a dosometria deste sentimento é equânime entre duas pessoas, se partimos do pressuposto que existem formas diferentes de demonstrar este sentimento tão complexo? Além disso, como discernir com precisão se existe correspondência, diante de tantos interesses que podem estar envolvidos em um relacionamento? Não seria o amor a forma mais pura forma de ilusão?

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    1. Olá Thiago.
      Tudo o que você disse é real, mas existe uma diferença entre ter sua forma singular de amar e dizer que ama em uma expressão vazia e que nunca se comprova com nenhuma atitude. O que eu quis mostrar nesse texto é que é preciso (mesmo que de maneiras diferentes) sentir e se fazer sentir quando se ama. Não basta amar para dizer palavras bonitas e não ter nenhuma atitude que condiz com isso, quando falo em atitude me refiro a um olhar diferente, um sorriso, uma surpresa inesperada, uma companhia quando você pensa que vai ficar sozinho... Por mais que o amor seja uma coisa única e intrinsecada de cada um, existem coisas que são necessárias quando existe um relacionamento!

      Abraços.
      Aline Alves

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