25 de jan de 2016

NO BANCO DOS RÉUS


Quanto vale um sorriso terno?
Vale o bastante para se viver entre o céu e o inferno?
E dentre tantas prioridades os juízes da vida deram como certo, apenas um veto
Tão incerto, disseram em tom perpétuo: “O mundo pertence aos expertos.”
E a única dúvida que fica é, onde fica o que pregaram certo?

E diante dos meus olhos montou-se um tribunal
Não havia de fato justiça, apenas o mundo real
Aquele vil tribunal que insiste nesse jogo desleal
E ai está sentença, condenada!
Sem razão, sem piedade e sem nenhum outro aval!

Olhavam condenando impiedosamente meus delírios
Como se tudo que passou diante de mim fosse só mais um empecilho
Apenas uma forma de ficar impune
Mas aquela irritante mania de bater os dedos na parede
Era tão repugnante quanto o fato de não conseguir olhar nos olhos do júri

O júri que mal ouvira o que eu havia dito
Que deu o veredicto!

E eu agonizando em meio às celas que se formaram ao meu redor
Não sabia ao certo dizer o que seria melhor
Me calei, rezei e marquei nas paredes cada dia
Eternizei em algum lugar do tempo toda aquela agonia
E o que se via? Eu nem sabia.
Alguém prevenia: “Na solidão não se deve fazer moradia”
Mas quem disse que eu ouvia?

E antes de uma morte fria naquela prisão perpétua
Vi nascer entrelaçado ao nevoeiro do banho de sol, um álibi
Na espreita, sem meias palavras ou setas
E quando pensei que a morte realmente viria, foi quando eu vivi

Do banco dos réus, passei a ser testemunha
Da verdade nua e crua
E ninguém mais tinha o direito de me condenar
Nem por sofrer e nem por amar
Sem o menor pudor voltei a respirar

Vi então no olhar dela que não há culpa nem dor
Não teria porque condenar seja lá pelo que for
Na calmaria, fui solta na estrada da vida
E sem pensar duas vezes avisei, estou de saída

Minha bagagem? É tudo aquilo que couber na memória
Meu destino? Qualquer lugar que não perca minha história
Minha companhia? Aquela que roubou minha sanidade sem ser pega
Que em um plano perfeito, me pegou de surpresa
Sem ninguém ver, me capturou como uma presa
E sem pressa, com toda minha incerteza
Levou-me pra longe do caos
Ou de qualquer outra cobrança desleal

Como ela pode cometer tal crime e não ser pega?
Eu por muito menos passei por um inferno de tristezas
E ela veio tirando de mim toda a frieza
Me levando pra mais perto das estrelas!

Aline Alves

Nenhum comentário:

Postar um comentário